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Mostra destaca o protagonismo feminino no cinema de horror em 38 filmes, no CCBB

Após a primeira edição da mostra, realizada em março de 2025, Mestras do Macabro – As Cineastas do Horror ao Redor do Mundo retorna ao Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), de 15 de abril a 18 de maio de 2026, para sua segunda edição, com uma proposta curatorial organizada em torno de eixos temáticos, ampliando o olhar sobre diferentes vertentes e abordagens do macabro sob perspectiva feminina. A mostra tem o patrocínio do Banco do Brasil e produção da BLG Entretenimento, e segue para os CCBBs Brasília e São Paulo após a temporada no Rio. Toda a programação é gratuita. Os ingressos para os filmes podem ser retirados a partir das 9h do dia da exibição, na bilheteria física ou no site do CCBB RJ.

A curadora Beatriz Saldanha selecionou 38 títulos — sendo 31 filmes dirigidos por mulheres e outros sete com participação feminina em funções essenciais como roteiro, montagem, fotografia, trilha sonora, maquiagem e efeitos especiais. Entre os temas que estruturam a seleção estão as vampiras contemporâneas, o misticismo e a religiosidade, e a representação da chamada “loucura” feminina, um dos tópicos mais recorrentes e controversos do horror.

Apesar do foco em produções recentes, a mostra mantém o compromisso com o resgate histórico. A sessão de abertura apresenta Hollywood 90028 (1973), de Christina Hornisher, obra que foi redescoberta internacionalmente e que chama a atenção pelo retrato amargo da desilusão com o sonho da indústria cinematográfica mais cobiçada do mundo.

Um dos destaques desta edição é a homenagem à cineasta francesa Marina de Van, com a exibição de três de seus longas: Encontro com o passado, estrelado por Sophie Marceau e Monica Bellucci; O lado sombrio, uma história sobrenatural perturbadora; e Em minha pele, o seu filme cult, considerado como um dos títulos mais emblemáticos do chamado “novo extremismo francês”. Diretora, roteirista e atriz, Marina de Van aborda de maneira franca e bastante pessoal temas delicados como a relação da mulher com o próprio corpo.

A mostra também destaca a trajetória da videomaker Cecelia Condit, que realizou alguns dos trabalhos mais importantes no campo do cinema experimental, com curtas como Talvez em Michigan e Debaixo da pele. Em seus filmes, Cecelia evoca as narrativas dos contos de fadas para discutir questões familiares profundas, bem como o horror da violência contra as mulheres, através de uma estética que mais se assemelha a pesadelos. “É uma cineasta brilhante, extremamente generosa e seus filmes precisam ser vistos, ainda mais se considerarmos que, infelizmente, a violência contra as mulheres está presente na sociedade atual de maneira intolerável”, ressalta Beatriz Saldanha.

A produção brasileira contemporânea marca presença com a pré-estreia de Love Kills, de Luiza Schelling Tubaldini, sessões especiais de Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, de O despertar de Lilith, de Monica Demes, e de curtas-metragens estrelados por Gilda Nomacce, a “rainha do grito”, reconhecida por seus papéis no cinema de gênero.

A programação inclui ainda sessões especiais com títulos derivados ou continuações de franquias populares, como Pesadelo final: a morte de Freddy, Criaturas 3 — primeiro filme estrelado por Leonardo DiCaprio — e A maldição de Carrie, título que foi bastante pedido pelo público na primeira edição da mostra.

A mostra realizará sessões inclusivas dos filmes Love Kills, Criaturas 3 e Virtuosas. O público poderá usar os recursos de acessibilidade (legenda descritiva, audiodescrição, Libras) através do aplicativo MobLoad, disponível gratuitamente nos formatos Android e IOS.

ATIVIDADES EXTRAS

Além das exibições dos filmes, a mostra promove uma série de atividades extras como debates, sessões comentadas, curso e festa.
No dia 16 de abril, às 18h10, após a sessão de Possessão, acontece o debate “Olhando além da diretora: criação, excessos e autoria feminina no horror”, com Cássia Ferreira, pesquisadora e jornalista, mestra em Comunicação pela UERJ, e Kimberly Palermo, cineasta e mestranda em Cinema e Audiovisual pela UFF. A mediação será da curadora Beatriz Saldanha.

Na sexta-feira (17/04), o CCBB realiza a sua primeira festa gótica, a “Noite no Museu – Mestras do Macabro”. Uma experiência que mistura cinema e música, uma noite para celebrar o imaginário gótico que começa com a pré-estreia de Love Kills, às 18h30, seguida de uma conversa com a diretora Luiza Schelling Tubaldini, as atrizes Thais Lago e Tainá Medina, e o ator Gabriel Stauffer. Logo depois, a rotunda do CCBB, toda decorada, com comidinhas e drinks, vira pista de dança com pernaltas e a DJ Cammy, até 2 da manhã; sendo que, às 23h, Ana Cañas sobe ao palco com o show “Rita Total”, cantando os maiores sucessos da diva do rock, como “Balada do Louco”, Lança Perfume”, “Jardins da Babilônia” e “Agora só falta você”. Aqueles que retirarem ingresso somente para o filme já garantem presença na festa. Os ingressos para a “Noite no Museu” já estão disponíveis na bilheteria física e no site do CCBB – bb.com.br/cultura.

Monica Demes, diretora de O Despertar de Lilith, apresenta o seu filme no dia 6 de maio, às 17h30, e, depois da sessão bate um papo com o público.

A mostra oferece ainda a masterclass “Rainha do grito por excelência: técnicas de performance para filmes de horror” com a atriz Gilda Nomacce. Será um encontro com duração de 2h no dia 25 de abril, com início às 15h. Haverá entrega de certificado aos participantes. As senhas serão distribuídas a partir das 14h.

A idealizadora e curadora da mostra Beatriz Saldanha, Doutoranda em Comunicação Audiovisual pela UAM, ministrará o curso “A abjeção feminina como estratégia de libertação no cinema de horror”. Serão dois encontros, com duração de 2h cada, nos dias 7 e 8 de maio, às 17h30, no Cinema 2. O curso propõe uma introdução ao conceito de abjeção feminina no cinema de horror, a partir de referenciais teóricos como Mary Douglas, Julia Kristeva e Barbara Creed, analisando como imagens de corpos femininos monstruosos, abjetos ou desviantes podem representar não apenas como instrumentos de controle simbólico, mas também resistência e libertação através de estratégias de ruptura. Por meio de exemplos do cinema de horror clássico e contemporâneo, o curso discutirá a relação entre gênero, corpo, violência e transformação, instigando a reflexão e o debate sobre o potencial político e estético da abjeção. Haverá entrega de certificado e as senhas serão distribuídas 1h antes do início das aulas.

SOBRE O CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA: bb.com.br/cultura

Data

15 Abr 2026 - 18 Mai 2026

Hora

18:00 - 20:00

Localização

CCBB RJ
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - RJ

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