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Supernova: Sallisa Rosa

Supernova: Sallisa Rosa no MUSEU DE ARTE MODERNA

Na individual “América”, a artista goiana Sallisa Rosa apresenta um projeto concebido especialmente para MAM, a partir da pesquisa que desenvolve sobre as relações entre colonialidade, memória e ancestralidade.

A proposição artística parte de sua trajetória pessoal: “Sou neta de América. A minha avó, mãe de minha mãe, nasceu em 12 de outubro, dia que o italiano Cristóvão Colombo, enviado pela Coroa Espanhola, invadiu este continente e, por isso, chamaram-lhe América. Feita herdeira das histórias tristes e violentas, América é imensa, forte e farta. Vovó América é grande tal qual, imensa, continental”.

A artista, que participou do programa de residências do MAM Rio em 2020, conta que vem trabalhando a terra como um recurso ancestral: “Minha prática tem a ver com imagem, fotografia e vídeo, mas também com instalações e obras participativas. Tenho uma pesquisa sobre caminhos e tenho ido muito no sentido de trabalhar com a terra. Refletindo sobre arte e território, penso na materialidade deste elemento que guarda a memória de tudo que já passou e está registrado no solo: pessoas, bichos, plantas e rochas. Acho que a arte também passa por essa demanda de reinvenção e luta por território”.

A curadora Beatriz Lemos revela que Sallisa passou a explorar novas técnicas a partir do estudo para a individual: “Ela desenvolve uma relação muito forte com o barro e o adobe. Uma das obras centrais é a Urna da memória (2021), realizada em cerâmica, que materializa a lembrança de sua avó, simbolizando sua ancestralidade”. Em torno da peça, a artista dispõe 35 potes da série Abya Yala, também em cerâmica, que fazem alusão à sua idade.

Abya Yala, na língua do povo Guna, originário do Panamá e da Colômbia, é sinônimo de América. Significa terra madura, terra viva ou em florescimento. A expressão vem sendo usada como uma autodesignação de vários povos originários do continente em contraponto a América. Foi adotada pela primeira vez em 1507, mas só se consagra a partir do final do século 18, por meio das elites crioulas ao se afirmarem no processo de independência, em oposição aos conquistadores europeus.

Lemos ressalta que uma parede pintada com uma solução de terra traz o convívio com as raízes, mais um elemento disparador do imaginário em América. Com esta temática, as séries Lembranças, de desenhos em nanquim sobre papel, e Recordação, de impressão em tecido, completam a mostra.

Na obra de Sallisa, a cultura do barro começa no próprio corpo, a partir do manuseio: “Enquanto eu modelo o barro é o barro que me modela por dentro, num movimento de cultivo das raízes internas. Quando se arrancam as raízes o que fica no lugar é um buraco”, afirma Sallisa. “A terra é um pó mágico que protege as recordações em monumentos. É onde se firma o pé pra erguer o corpo. Se a minha herança é um fardo, eu vivo o destino pelo instinto e, para honrá-la, eu celebro a memória com o corpo”.

A artista goiana conta que a palavra “arte” não encontra tradução em quase nenhuma língua indígena. Talvez porque os povos tradicionais não a separem da vida e, por isso, a arte abrange um universo de práticas que não necessariamente resultam em objetos, mas em ritualizar a vida.

Sallisa sublinha a participação da artista baiana Rose Afefé (Varzedo, 1988), a quem convidou para o processo de criação e montagem de América: “Muitas pessoas me foram importantes nesse projeto. Para a instalação, trabalhei em parceria com ela, que foi fundamental na prática com adobe e bioconstrução”.

Sobre Sallisa Rosa

Sallisa Rosa (Goiânia, GO, 1986) vive no Rio de Janeiro. Atua com a arte como caminho a partir de experiências intuitivas ligadas à ficção, ao território e à natureza. Além disso, debruça-se sobre imagens relacionadas a temáticas como memória e identidade; narrativas de descolonização e estratégias de criação de futuro. Circula entre fotografia e vídeo, instalações e obras participativas. Em sua trajetória, é central o comprometimento com práticas artísticas voltadas para construções coletivas, no sentido de desdobrar obras em atividades artístico-pedagógicas, formular conversas, partilhar saberes.

A artista foi indicada ao Prêmio PIPA 2020 e participou na a Trienal do SESC em Sorocaba (2021), na exposição Histórias feministas: artistas após 2000, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP) (2019), VAIVEM, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro (2019), São Paulo (2019) e Belo Horizonte (2020); na Bienal do Barro, Caruaru (2019), Estratégias do feminino, Farol Santander, Porto Alegre (2019), Bolsa Pampulha 2018/2019, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2019) e Dja Guata Porã: Rio de Janeiro indígena, Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) (2017-18). Participou das Residências MAM 2020.

 

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Data

14 Fev 2022 - 03 Abr 2022
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MUSEU DE ARTE MODERNA

Localização

MUSEU DE ARTE MODERNA
Av. Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo Rio de Janeiro




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