“Se Eu Fosse Eu – Clarices” no Centro Cultural da Justiça Federal
O grupo brasiliense ATA – Agrupação Teatral Amacaca volta ao Rio de Janeiro com “Se Eu Fosse Eu – Clarices”, em temporada de 3 a 26 de julho no teatro do Centro Cultural da Justiça Federal. Inspirado na obra de Clarice Lispector (1920-1977), o espetáculo percorre temas que atravessam o universo feminino — maternidade, descoberta do prazer e espiritualidade. A montagem tem concepção, direção e atuação de Camila Guerra, Juliana Drummond e Rosanna Viegas, integrantes da ATA, um dos grupos mais relevantes do Distrito Federal, fundado por Hugo Rodas (1939-2022) em 2011.
A peça é inspirada em três contos de Clarice Lispector: “O Ovo e a Galinha”, “Miss Algrave” e “Perdoando Deus”. Em cena, a força e a complexidade do universo feminino atravessam a montagem. As três atrizes permanecem em cena durante todo o espetáculo, num palco transformado em cozinha onde, gradualmente, um bolo é preparado. Elas dialogam com as múltiplas Clarices que carregam em si, abordando tabus e contrastes com ironia e sensibilidade.
Clarice Lispector escrevia em casa, criando sozinha os dois filhos, com a máquina no colo. Uma mulher multitarefa, como a maioria. No espetáculo, essa figura feminina está na cozinha — fazendo um bolo, tomando um chá — enquanto os ingredientes são seus questionamentos mais profundos sobre a própria vida.
A ideia da montagem nasceu quando as atrizes Juliana Drummond e Rosanna Viegas dirigiram a atriz Camila Guerra numa cena de “O Ovo e a Galinha”, apresentada num sarau. A partir daí, vieram os textos “Miss Algrave” e “Perdoando Deus”. Os ensaios eram guiados por leituras aleatórias de “Todos os Contos”. “Nós abríamos o livro no início dos ensaios como um oráculo do dia, líamos trechos como guia, como se Clarice estivesse dando um recado para ser trabalhado”, conta Rosanna Viegas.
A dramaturgia também foi construída a partir de experiências fora do palco em oficinas realizadas com mulheres em situação de vulnerabilidade em Ceilândia e São Sebastião, no Distrito Federal, que alimentaram diretamente a dramaturgia.
Trajetória do espetáculo – A peça estreou em maio de 2023 na Caixa Cultural de Brasília com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura do DF. Em 2024, fez uma curta temporada no Sesc Garagem que lhe rendeu as indicações para direção e atriz destaque (Rosanna Viegas) no Prêmio Sesc Mais Cultura. Em 2025, fez uma temporada na Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo na 508 Sul. No Rio, a peça fez temporada no ano passado no CCBB RJ, junto com mais dois espetáculos da companhia durante a mostra de repertório Amacaca em Trânsito DF-RJ. Em 2026, peça foi indicada em seis categorias (Atriz, Espetáculo, Direção, Dramaturgia, Cenário e Figurino) no 4º Festival Dulcina (DF), tendo sido agraciada na categoria Melhor Atriz (Juliana Drummond).
ATA – AGRUPAÇÃO TEATRAL AMACACA
Fundada em 2011 a partir de uma disciplina de extensão da Universidade de Brasília (UnB), a ATA surgiu da iniciativa do multiartista Hugo Rodas (1939–2022), que após se aposentar como professor universitário em 2009 continuou formando jovens atores. Concebida por ele como uma orquestra de atores, a companhia tem como marca a integração indissociável entre teatro, música e dança.
Desde a estreia com “Ensaio Geral” (2012), a ATA acumulou prêmios e realizou temporadas nos principais palcos do Distrito Federal e de capitais brasileiras. Sob a direção de Hugo Rodas, a companhia criou “Punaré & Baraúna” (2015), “Os Saltimbancos” (2019), “O Rinoceronte” (2019) e o espetáculo virtual “Poema-Confinado” (2020). No mesmo período, uma residência artística com o diretor catalão David Climent resultou em “Metanóia” (2019).
Após o falecimento de Rodas, a ATA estreou “Futuro do Passado – 100 Anos da Semana de 22” (2023), performance-instalação itinerante que ocupou o Museu Nacional da República, com criação coletiva e direção de cena de Abaetê Queiroz. Na sequência, “Se Eu Fosse Eu – Clarices” (2023), com dramaturgia, direção e atuação de Rosanna Viegas, Juliana Drummond e Camila Guerra, e “2+2=5” (2023), sob direção de Felipe Vidal. Em 2024, a companhia lançou “Curumim”, dirigido por Márcia Duarte, primeiro espetáculo da ATA voltado para a primeira infância.
Ficha Técnica
Realização: ATA – Agrupação Teatral Amacaca
Concepção, Direção e Atuação: Camila Guerra, Juliana Drummond e Rosanna Viegas
Produção Executiva: Valéria Arias e Gabriel Costa
Cenário e Figurinos: Juliana Drummond
Iluminação: Abaetê Queiroz
Operação de Luz: Thomas Hieatt
Sonoplastia: Flávio Café
Remixagem e Masterização: Glauco Maciel
Operação de Som e Cenotécnico: Kaio Rafael
Músicas: “Moon” 7FO (incidental) e “Clarice” de Tom Zé
Designer Gráfico: Manuella Leite
Designer Gráfico: CCJF
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Assessoria de Redes: Tiago da Silveira
Fotografia: Yasmin Veloso, Diego Bresani e Cristiano Costa
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SERVIÇO Espetáculo: “Se Eu Fosse Eu – Clarices” Temporada: de 03 a 26 de julho de 2026 Dias e horários: sextas, sábados e domingos, às 19h Local: Teatro do Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Centro). Estação de metrô da Cinelândia Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) Vendas online: Sympla
Redes sociais: @claricescriativas e @agrupacaoteatralamacaca
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