Avançar para o conteúdo

O Filho das Mães

“O Filho das Mães” estreia nova montagem no Teatro Laura Alvim

Comédia pioneira de João Bethencourt sobre diversidade familiar regressa aos palcos com o título original e integra as celebrações do centenário do dramaturgo.

Num momento em que os debates sobre diversidade, pertencimento e novas configurações familiares ocupam cada vez mais espaço na sociedade, um texto brasileiro escrito há mais de duas décadas retorna aos palcos mostrando que algumas histórias permanecem surpreendentemente atuais.

“O Filho das Mães”, de João Bethencourt, estreia uma nova montagem no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, com apresentações às terças e quartas-feiras, às 20h. A comédia utiliza o humor para abordar temas como preconceito, tradição, identidade, aceitação e afeto.

A peça tem apoio institucional da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e da Funarj.

Obra retorna aos palcos com o título original

Durante anos, o texto ficou conhecido pelo título “Circuncisão em Nova York”. Nesta nova montagem, a obra é apresentada pela primeira vez com o seu nome original, recuperando uma das comédias mais emblemáticas de João Bethencourt.

Autor de cerca de 30 peças, Bethencourt consolidou-se como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira. A montagem integra as comemorações pelos 100 anos do nascimento do dramaturgo, celebrados desde 2025, reafirmando a relevância da sua produção para o teatro nacional.

Escrito em 2005, quando as discussões sobre famílias homoafetivas ainda tinham pouca visibilidade no Brasil, o texto antecipou temas que hoje fazem parte do debate público.

Sem abandonar a leveza e a estrutura clássica da comédia de costumes, João Bethencourt transforma um grande mal-entendido familiar numa reflexão sobre respeito, aceitação e a capacidade de amar para além dos preconceitos.

Elenco reúne artistas com longas carreiras no teatro

A nova montagem é dirigida por Pia Manfroni e reúne artistas de diferentes gerações.

Jalusa Barcellos, atriz, jornalista e escritora, celebra 50 anos de carreira com este espetáculo. Sergio Fonta, ator e dramaturgo, acumula mais de cinco décadas de trabalhos no teatro, enquanto Narjara Turetta iniciou a sua trajetória artística ainda criança.

O elenco conta também com Carlos Loffler, Celso Andre, Duio Botta, Isabella Barros e Rose Scalco.

Uma família envolvida numa sequência de mal-entendidos

A trama acompanha Miriam, interpretada por Narjara Turetta, uma jovem judia que vive em Nova York e decide contar à mãe, Sarah, vivida por Jalusa Barcellos, que mantém um relacionamento amoroso com Emily.

O papel de Emily é interpretado alternadamente por Isabella Barros e Rose Scalco.

Miriam e Emily esperam um filho, gerado por inseminação artificial com a ajuda de Ralph, um amigo que atua como doador de esperma e é interpretado por Duio Botta.

Temendo a reação do marido, Abraão, vivido por Sergio Fonta, Sarah tenta esconder a verdade. Abraão é um empresário conservador e profundamente ligado às tradições judaicas.

A tentativa de esconder a relação de Miriam desencadeia uma sucessão de confusões. Abraão passa a acreditar que Ralph é namorado da filha e pai da criança.

A cada nova tentativa de sustentar a mentira, surgem situações ainda mais improváveis, envolvendo familiares, amigos e Samuel, interpretado por Carlos Loffler, um segundo avô cuja filha também vive uma relação homoafetiva.

Circuncisão reúne os personagens e ameaça revelar a verdade

O ponto alto da história acontece durante a cerimônia judaica de circuncisão, a Brith Milah, celebrada pelo ocupado rabino Dr. Meyer, interpretado por Celso Andre.

É durante a cerimônia que todos os personagens se encontram e as verdades escondidas ameaçam finalmente vir à tona.

Entre revelações, equívocos e desencontros, o espetáculo reafirma uma característica marcante da dramaturgia de João Bethencourt: utilizar o humor como ferramenta para discutir questões sociais profundas sem perder a comunicação direta com o público.

Comédia sobre afeto, respeito e diferentes modelos de família

Ao colocar em cena diferentes configurações familiares, “O Filho das Mães” convida o público a refletir sobre as transformações da sociedade e sobre a necessidade de construir relações baseadas no respeito, na empatia e na convivência com as diferenças.

A peça mostra como o medo da rejeição e o apego às tradições podem alimentar conflitos, mas também como o afeto pode abrir espaço para o diálogo e para novas formas de compreensão.

Serviço — “O Filho das Mães”

Temporada: de 4 a 26 de agosto
Dias e horários: terças e quartas-feiras, às 20h
Local: Teatro Laura Alvim — Casa de Cultura Laura Alvim
Endereço: Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio de Janeiro
Ingressos: Funarj
Classificação indicativa: 14 anos
Instagram: https://www.instagram.com/ofilhodasmaes.teatro

Ficha técnica

Autor: João Bethencourt
Direção: Pia Manfroni
Assistente de direção: Celso Andre
Elenco: Jalusa Barcellos, Sergio Fonta, Narjara Turetta, Carlos Loffler, Celso Andre, Duio Botta, Rose Scalco e Isabella Barros
Cenário e figurinos: Augusto Pessoa
Iluminação: Juliana Amorim
Fotos e design: Rodolfo Abreu
Visagismo: Diogo Teixeira e Fabiola Marques
Produção executiva: Carla Lisboa
Produção: Isabella Barros Produções e DelRio Realizações
Assessoria de comunicação: Rodolfo Abreu — Interativa DOC

Data
04 - 26 Ago 2026
Hora
20:00
Localização
Casa de Cultura Laura Alvim
Av. Vieira Souto, 176 - Ipanema, Rio de Janeiro

Categorias