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Exposição “onde a língua goteja pedra” marca nova etapa do Galpão Bela Maré

O Galpão Bela Maré, iniciativa do Observatório de Favelas, apresenta a exposição “onde a língua goteja pedra”, de Carla Santana e Gilson Plano, com curadoria de Anna Luísa Oliveira e Ana V. Lopes. Resultado de uma imersão realizada no quadrilátero mineiro, a mostra reúne esculturas, pinturas e experimentações materiais desenvolvidas a partir da relação direta com a paisagem e com os contextos históricos investigados.

No contexto da Maré, território marcado por sucessivos processos de ocupação e transformação urbana, o projeto dialoga com uma paisagem atravessada por aterramentos e disputas de memória, aproximando tempos geológicos e sociais. A mostra integra a programação do edital Nossos Museus RJ.

A abertura acontece em 14 de março, às 13h, e a visitação segue até 11 de abril, de terça a sábado, das 10h às 18h. No dia 28 de março, às 16h, será realizado um encontro aberto com Carla Santana e Gilson Plano.

As obras partem da coleta e transformação de elementos ligados à terra. minerais, pigmentos e superfícies deixam de ocupar apenas a função de suporte e passam a atuar na construção das formas. O gesto artístico se aproxima de processos como sedimentação, erosão e acúmulo.

A imersão levou os artistas a percorrerem territórios de relevância geológica e histórica, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, a Serra da Saudade e o Cerrado do Quilombo Raízes, além de promover encontros com artistas, mestres e agentes locais. O desenvolvimento dos trabalhos se deu por meio da escuta, da observação e do contato direto com o território.

“Ao longo do percurso, a paisagem repleta de crostas calcárias, superfícies ferruginosas e vestígios de sedimentação marinha expôs inscrições produzidas pela passagem da água ao longo de temporalidades incomensuráveis. Nesse contexto, a memória aquosa permanece ativa, manifestando-se tanto nos saberes vinculados à pesca quanto nas materialidades que emergem nos ciclos climáticos e no cotidiano do lugar. Trata-se de um campo de ressonância onde matéria, história e presença social permanecem indissociáveis, evidenciando que processos de formação seguem em curso na construção das vidas e dos espaços”, explica o texto curatorial.

“onde a língua goteja pedra” marca também a requalificação dos espaços expositivos e da sala multiuso do Galpão Bela Maré, criado em 2011 pelo Observatório de Favelas em parceria com a produtora Automatica e responsável por 78 exposições ao longo de 15 anos de programação gratuita.

Realizada em 2026, com apoio do edital Nossos Museus RJ, a intervenção incluiu melhorias nas estruturas elétrica, hidráulica e de climatização, novo sistema de iluminação e ampliação da acessibilidade, fortalecendo as condições técnicas do espaço para receber exposições, ações formativas e atividades públicas e reafirmando seu compromisso com o acesso gratuito à cultura.

O Nossos Museus é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc ao RJ e Observatório de Favelas; tem patrocínio da Vale, Itaú Unibanco e White Martins. Conta com apoio institucional do Itaú Cultural, IJCA e Quadra Galeria; Parceria da Automatica e TradInterlab; é realizado pelo Observatório de Favelas, SECEC e Ministério da Cultura e Governo do Brasil – Do lado do povo brasileiro.

Serviço | Exposição: Onde a língua goteja pedra

Artistas: Carla Santana e Gilson Plano

Curadoria: Anna Luísa Oliveira e Ana V. Lopes

Abertura: 14/03, às 13h

Período expositivo: 14/03 a 11/04

Encontro com os artistas: 28/03, às 16h

Visitação: terça a sábado, das 10h às 18h

Local: Galpão Bela Maré

Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 169, Maré

Classificação: livre
Visitas mediadas: terças e quintas, às 14h, mediante agendamento

Agendamento: educativo.belamare@observatoriodefavelas.org.br

Sobre o Galpão Bela Maré

O Galpão Bela Maré, projeto do Observatório de Favelas realizado em parceria com a Automática, é um espaço voltado à difusão, produção, mobilização, formação e fruição das artes e das expressões culturais através de suas mais variadas manifestações, visando, sobretudo, articular a produção artística periférica com o circuito da arte contemporânea no Rio de Janeiro. Inaugurado em 2011, consolidou-se como um espaço de referência na cidade para o debate do papel político da arte, especialmente no contexto das periferias. Sobre o Observatório de Favelas

Sobre o Observatório de Favelas

O Observatório de Favelas, criado em 2001, é uma organização da sociedade civil sediada no Conjunto de Favelas da Maré, com atuação nacional. A organização busca promover o direito à cidade e incidir sobre políticas públicas, valorizando as favelas e periferias como territórios de potência e direitos.

Data

14 Mar 2026

Hora

13:00 - 18:00