Exposição “Imprevistos” poderá ser vista somente até este sábado
Exposição “Imprevistos”, de Ana Holck, termina neste sábado no Leblon
Termina neste sábado, 18 de julho de 2026, a exposição “Imprevistos”, em cartaz na galeria Maneco Müller: Multiplo, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Para marcar o encerramento da mostra, a galeria funcionará excepcionalmente no sábado, das 10h às 14h.
A exposição celebra os 25 anos de trajetória da artista carioca Ana Holck e reúne 15 obras inéditas, produzidas em 2026. Os trabalhos representam um novo desdobramento de sua pesquisa com cerâmica e aço inoxidável, incorporando formas inéditas e, pela primeira vez, cores aplicadas ao barro.
Novas séries e experimentações com a cor
“Imprevistos” apresenta obras da nova série “Desajustados”, iniciada em 2026, além de trabalhos inéditos das séries “Entroncados” e “Grades”.
As esculturas dialogam entre si pelo uso da cerâmica como base, assim como por suas formas, ritmos, módulos e processos de construção.
Uma das principais novidades desta produção é a presença da cor. Até então, Ana Holck havia trabalhado principalmente com porcelana branca e, em algumas ocasiões, preta.
“Uma coisa muito nova que une esses trabalhos é a presença da cor. Comecei com a porcelana, sempre branca, cheguei a usar também a preta, mas cor é a primeira vez”, explica a artista.
Ana utiliza tons suaves e discretos, frequentemente combinando duas tonalidades semelhantes em uma mesma obra. Para ela, essas cores funcionam como marcadores de tempo, espaço e ritmo.
“Tem um ritmo que está sendo dado por essas cores, que eu chamo de ‘não cores’, pois não são tons fortes, são nuances de cor”, afirma.
As peças são produzidas com um tipo de barro canadense chamado grés, adquirido em diferentes tonalidades já preparadas de fábrica.
Cerâmica amplia as possibilidades do trabalho
Formada em Arquitetura e Urbanismo, Ana Holck incorpora ao trabalho artístico elementos relacionados à construção, à repetição, ao minimalismo e à organização espacial.
A aproximação com a cerâmica também permitiu que a artista assumisse maior controle sobre todas as etapas da produção.
“Quando fui para a cerâmica, foi muito prazeroso assumir o controle da produção, pois até então eu terceirizava muito, fazia maquetes, croquis e outra pessoa executava”, conta.
Segundo Ana, o contato direto com o material possibilitou mudanças mais rápidas e profundas durante o processo criativo.
“O fato de estar com a mão na massa propicia um potencial muito grande de mudança dentro do trabalho, de transformações da linguagem.”
Arquitetura, módulos e repetição
A formação de Ana Holck em Arquitetura aparece de maneira evidente na construção das esculturas.
A artista trabalha frequentemente com módulos e elementos repetidos, recurso que permite ampliar as dimensões das obras produzidas em cerâmica.
“Trabalho muito com módulo e repetição, que foi uma forma que encontrei para expandir o tamanho da obra na cerâmica”, explica.
Esses procedimentos também estão associados a temas presentes desde o início de sua trajetória, como arquitetura, serialidade, composição e minimalismo.
Embora utilize um material bruto e maleável, Ana subverte os métodos tradicionais da cerâmica. A porcelana é transformada em tubos de medidas regulares e previamente definidas por meio de uma prensa conhecida como extrusora.
“O meu trabalho tem muita composição, muita montagem. É um trabalho de cerâmica, mas não da forma convencional, que tem o toque da mão e toda a expressividade”, afirma.
Em vez de modelar diretamente cada peça, a artista produz os tubos na extrusora e, posteriormente, organiza e monta os diferentes componentes que formarão a escultura.
Esculturas desafiam a estabilidade das formas
O texto da exposição é assinado pela crítica e curadora de arte Daniela Labra, que acompanha o trabalho de Ana Holck há mais de dez anos.
Segundo a curadora, a prática da artista se desenvolve por meio de uma investigação contínua sobre estruturas espaciais, tensões entre materiais e a experiência física proporcionada pelas esculturas.
Trabalhando principalmente com metal e porcelana, Ana cria obras e ambientes que desafiam a estabilidade das formas, ao mesmo tempo que estimulam a percepção e a presença corporal do público.
“Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, destaca Daniela Labra.
Sobre Ana Holck
Ana Holck é uma das artistas de maior destaque de sua geração. Ao longo de mais de duas décadas de atuação, consolidou sua trajetória no circuito da arte contemporânea brasileira.
Sua produção transita entre escultura, instalação, arquitetura e pesquisa de materiais. Os trabalhos investigam questões como espaço, equilíbrio, instabilidade, repetição, ritmo e a relação física estabelecida entre a obra e o espectador.
Serviço
Exposição “Imprevistos”, de Ana Holck
Último dia: 18 de julho de 2026, sábado
Horário especial de encerramento: das 10h às 14h
Número de obras: 15 trabalhos inéditos
Local: Galeria Maneco Müller: Multiplo
Bairro: Leblon, Rio de Janeiro
