Espetáculo de dança “Cavalas” estreia no Sesc Copacabana entre 25 de junho e 5 de julho
Espetáculo de dança “Cavalas” estreia no Sesc Copacabana entre 25 de junho e 5 de julho
Coreografia de Alana Falcão e Ana Brandão investiga horror, feminilidade e animalidade em diálogo com mitologias populares
Inspirado por mitologias populares e práticas de improvisação, o espetáculo “Cavalas”, de Alana Falcão e Ana Brandão, estreia no Rio de Janeiro com temporada no Sesc Copacabana entre os dias 25 de junho e 5 de julho.
A obra nasce de uma pesquisa de dois anos que investiga transformações entre humano e animal, a partir da relação entre duas mulheres em cena que alternam os estados de mulher e cavala, em um jogo de identificação, disputa, cuidado e espelhamento.
A coreografia é atravessada por paradoxos — terror e beleza, delicadeza e tensão, liberdade e disciplina — construindo uma atmosfera ao mesmo tempo física, mítica e inquietante. As dançarinas e criadoras Alana Falcão e Ana Brandão se conheceram há cerca de dez anos, quando Ana Brandão, paulista, se mudou para Salvador e iniciou uma trajetória de encontros criativos com a parceira soteropolitana.
O processo que deu origem ao espetáculo começou no período pós-pandemia, durante estudos de movimento baseados na pesquisa Fighting Monkeys, criada pela artista grega Linda Kapetanea e desenvolvida a partir de jogos e tarefas de improvisação.
“Nesses estudos, acabamos percebendo que havia algo sendo criado ali. E fomos adentrando em histórias de um feminismo que flerta com o gênero do terror, em encontros entre macabros e encantadores”, relembra Ana Brandão.
A criação de “Cavalas” reúne também Lais Machado, na dramaturgia, Diego Gonçalves, na concepção de luz, Bernardo de Oliveira, na cenografia, Marlan Cotrim, no figurino, e Paulo Pitta, na concepção de som e trilha sonora original.
Mitologias do corpo
Entre as referências que atravessam o espetáculo, estão o conto “As coisas que perdemos no fogo”, da escritora argentina Mariana Enríquez, a obra “Xifópagas capilares entre nós”, do artista visual Tunga, além de mitologias populares brasileiras marcadas por transformações de mulheres em bestas.
O cabelo surge como elemento simbólico que conecta essas imagens — presente tanto nas crinas de cavalos quanto em narrativas do horror feminino e nas figuras híbridas construídas em cena.
“Todas essas ideias de horror e mulheridade nos acompanham desde o início do processo. O cabelo e o cavalo se encontraram e ficamos mexendo nessas interseções até o nascimento de ‘Cavalas’”, explica Alana Falcão.
Após a estreia no JUNTA Festival, no Piauí, em outubro de 2023, o espetáculo passou por diferentes contextos artísticos em estados como São Paulo, Pernambuco, Ceará, Paraná, Pará e Bahia. Em 2025, o projeto realizou uma circulação pelo Norte do Brasil a partir do fomento da Bolsa Funarte de Dança Klauss Vianna 2023, experiência que consolidou o desejo das artistas de ampliar as trocas criativas com o eixo Norte-Nordeste.
A temporada no Rio integra a programação do Edital de Cultura RJ Pulsar 2025/2026 e contará também com a oficina “Doses Cavalares”, atividade de pesquisa e criação em dança inspirada nos princípios desenvolvidos no espetáculo, no dia 30/06. A programação inclui ainda sessão com audiodescrição no dia 4 de julho.
Sinopse
CAVALAS é um espetáculo em duo que trafega entre o mítico, o simbólico e o físico. Baseado na obra “Xifópagas capilares entre nós” do artista visual Tunga e nas diversas mitologias populares brasileiras impregnadas de transformações de mulheres em bestas, as duas mulheres em cena alternam entre as posições de humano e de cavala num jogo entre identificação, competição, semelhança e diferença, mulheridade e animalidade.
Sobre o grupo
Com trajetórias consolidadas na dança contemporânea, Ana Brandão e Alana Falcão desenvolvem pesquisas que transitam entre criação, pedagogia, crítica e performance. Paulistana radicada na Bahia, Ana é mestra em dança pela UFBA e desenvolve desde 2018 o projeto “Dobra”, investigação sobre contradições de gênero a partir de origamis corporais.
Já Alana, natural de Salvador, é co-diretora do Nii Colaboratório, crítica de dança e diretora editorial da Revista Barril de Crítica em Artes, além de atuar em criação, dramaturgia e coreografia. Em “Cavalas”, as artistas aprofundam uma pesquisa em torno de improvisação, autoficção e espelhamento, atravessada por questões de feminilidade, animalidade e transformação.
Ficha técnica:
Concepção, direção e dança: Alana Falcão e Ana Brandão
Dramaturgia: Lais Machado
Coordenação técnica e iluminação: Diego Gonçalves
Trilha sonora original: Paulo Roberto Pitta
Cenografia: Bernardo Oliveira
Figurino: Marlan Cotrim
Designer gráfico: Naiara Rezende
Assessoria de imprensa: Marina Mello
Redes sociais: Patricia Lima & Damares Farias
Acessibilidade: zênite Studios
Produção local: Yasmin Cavendish
Produção: PLATÔproduções
Serviço “Cavalas”
De 25 de junho a 5 de julho de 2026
Quintas e sextas, às 19h | sábados e domingos, às 17h
Ingressos: R$ 30 (inteira); R$27 (conveniados), R$23 (convênio empresário); R$21 (credencial plena Sesc); R$ 15 (meia entrada para casos previstos por lei – idosos, estudantes, PCD e jovens de baixa renda na faixa etária 15 a 29 anos que apresentem carteira jovem ou CadÚnico; professores e classe artística com registro profissional, convênio e programa Mesa Brasil); Gratuito (público cadastrado no PCG).
Dia 4 de julho – sessão com audiodescrição
Oficina “Doses Cavalares”, dia 30/06, terça-feira, de 14h às 18h – participação mediante inscrição prévia no link: https://forms.gle/
Local: Sala Multiuso do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
Informações: (21) 3180-5226.

