Com texto e direção de Tairone Vale, peça “Doce Árido” faz temporada no Teatro Ipanema Rubens Corrêa
“Doce Árido” estreia no Teatro Ipanema com história sobre maternidade, tradição e sobrevivência
O que você seria capaz de fazer diante da oportunidade de transformar a própria vida?
É a partir dessa pergunta que nasce “Doce Árido”, espetáculo que estreou no Rio de Janeiro em 16 de julho de 2026, no Teatro Ipanema Rubens Corrêa.
Com texto e direção de Tairone Vale, a peça reúne em cena as atrizes mineiras Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini, que interpretam três gerações de mulheres responsáveis pelo sustento da casa em uma pequena propriedade rural no interior de Minas Gerais.
A sobrevivência da família depende da produção artesanal de doce de leite. Quando surge uma encomenda inesperada vinda do exterior, as três enxergam a possibilidade de mudar de vida. Para cumprir o pedido dentro do prazo, elas mergulham em uma intensa rotina de trabalho.
No entanto, o maior obstáculo não é o tempo, mas os segredos do passado.
Três gerações entre o trabalho e a escassez
Entre as consequências de um parto complicado e a falta de recursos que ronda a casa, mãe, filha e avó tentam se equilibrar entre o peso da tradição, as responsabilidades familiares e o desejo de liberdade.
Pressionada pelo prazo curto, Maria Antônia, interpretada por Pri Helena, exige dedicação total à produção da encomenda.
A jovem Maria Lúcia, vivida por Rebeca Figueiredo, divide-se entre o tacho de doce de leite e os cuidados com sua frágil filha recém-nascida, Maria Clara.
Observando tudo pelas frestas da casa, a matriarca Maria Quitéria, interpretada por Layla Paganini, percebe que a fragilidade das relações familiares pode colocar toda a encomenda a perder.
Cenário acompanha a instabilidade da família
A instabilidade das relações entre as personagens também aparece na cenografia.
Apoiado sobre uma plataforma móvel, o cenário se desloca e tomba conforme as atrizes se movimentam. À medida que a trama avança e os conflitos se intensificam, o espaço físico acompanha o desequilíbrio emocional da família.
A direção de arte, o cenário e o figurino são assinados por Cris Bourgeaiseau.
Trilha sonora reforça a aridez do ambiente
A trilha sonora original foi criada pela cantora e compositora Laura Jannuzzi.
As composições evocam imagens e sensações relacionadas à aridez do ambiente e à solidão das personagens.
A viola caipira, que poderia ser utilizada apenas como referência ao regionalismo mineiro, ganha contornos mais densos e opressores. Já a flauta evidencia a solidão vivida por mães e filhas que, mesmo permanecendo juntas, não conseguem evitar o distanciamento emocional.
Memórias das matriarcas inspiraram o espetáculo
Para criar a história, o autor e diretor Tairone Vale resgatou memórias da infância e afetos construídos pelas matriarcas de sua própria família.
Embora seja uma obra de ficção, a peça foi ambientada no interior de Minas Gerais e apresenta elementos ligados à vida rural, à maternidade, ao trabalho feminino e às dificuldades enfrentadas por famílias que vivem longe dos grandes centros urbanos.
O texto foi escrito em 2013 e chegou aos palcos pela primeira vez em 2025, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Em 2026, o espetáculo também integrou a programação do Festival de Curitiba.
Segundo Tairone Vale, uma das questões que motivaram a criação da peça foi imaginar o que aconteceria com uma mulher que enfrentasse uma depressão pós-parto em um ambiente rural, isolado e sem acesso adequado a estrutura, recursos e atendimento especializado.
Peça aborda maternidade e desigualdade de gênero
“Doce Árido” também dialoga com questões sociais relacionadas ao trabalho doméstico, à maternidade, à violência contra a mulher e às desigualdades enfrentadas pelas trabalhadoras rurais.
De acordo com dados citados pela produção, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, aponta que 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.
As mulheres também dedicam quase dez horas semanais a mais do que os homens aos trabalhos domésticos e de cuidado.
A obra ainda chama atenção para a violência doméstica e para as dificuldades enfrentadas por mulheres que vivem em regiões rurais, onde o acesso aos serviços de saúde, proteção e assistência pode ser mais limitado.
O isolamento, a dificuldade de mobilidade e a ausência de redes de apoio tornam essas situações ainda mais graves.
Ficha técnica
Espetáculo: Doce Árido
Texto: Tairone Vale
Colaboração dramatúrgica: Layla Paganini, Léo Cunha, Pri Helena e Rebeca Figueiredo
Direção: Tairone Vale
Codireção: Léo Cunha
Elenco: Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini
Stand-in: Livia Gomes
Direção de arte: Cris Bourgeaiseau
Cenário: Cris Bourgeaiseau
Núcleo de cenografia: Cris Bourgeaiseau, Rebeca Figueiredo, Tairone Vale, Marcella Calixto, Amanda Corrêa e Vitória Vargas
Iluminação: Nitay Krishna
Figurino: Cris Bourgeaiseau
Trilha sonora original: Laura Jannuzzi
Preparação corporal: Letícia Nabuco
Programação visual: Marcella Calixto e Vitória Vargas
Fotografia: Marcella Calixto
Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Mídias sociais: Rebeca Figueiredo
Costureira: Aline Azevedo
Direção de produção: Cris Bourgeaiseau
Produção executiva: Jhully
Espetáculo “Doce Árido”
Temporada: de 16 de julho a 9 de agosto de 2026
Dias e horários:
Quinta-feira, sexta-feira e sábado, às 20h
Domingo, às 19h
Local: Teatro Ipanema Rubens Corrêa
Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – Rio de Janeiro
Ingressos:
R$ 60 – inteira
R$ 30 – meia-entrada
